segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Descrição MAGNA MATER

Vale dos Gêiseres - Extremo Oriente

Ele sentiu como se estivesse ascendendo de uma grande profundeza, flutuando na direção da superfície de um mar escuro. Um mar sem fundo. Seus olhos estavam fechados, mas ele podia sentir a escuridão abaixo de si. À medida que ascendia em direção à luz, a pressão sobre ele parecia aumentar, uma pressão que tornava difícil a respiração. Com esforço, ele deslizou a mão para o peito. Um pedaço macio de tecido estava encostado em sua pele, alguma espécie de roupa ou manta bem fina e sem peso algum.
Por que não consegui respirar?

Ao se concentrar na respiração, descobriu que assim ela vinha com mais facilidade, ritmicamente. O som de sua própria respiração era algo estranho e novo, como se ele jamais a ouvira com tanta clareza antes. Ouviu o som subir e descer numa suave e delicada cadência.

Com os olhos ainda fechados, no olho da mente ele quase podia distinguir uma imagem pairando perto dele: uma imagem que parecia muito importante, se ao menos ele pudesse perceber o que era. Mas não conseguia vê-la. Era tudo muito vago e borrado nas extremidades. Ele se esforçou mais ainda pra ver: talvez fosse uma espécie de estatueta. Sim, era uma figura feminina esculpida, cintilando numa luz dourada. Ela estava sentada no meio de um pavilhão parcialmente acortinado. Seria ele o escultor? Teria sido ele a esculpi-la? A peça parecia muito importante. Se ao menos ele pudesse puxar a cortina para o lado com a sua mente, então conseguiria ver dentro. Poderia ver a figura. Mas a cada vez que tentava imaginar essa tarefa, sua cabeça era inundada por um brilho ofuscante.

Com um esforço extra, ele finalmente conseguiu abrir as pálpebras. Tentou então focalizar o que estava ao redor dele. Encontrou-se em uma espécie de espaço diferenciado onde brilhava uma estranha luz, um brilho incandescente que tremeluziaem torno dele. Além, havia sombras marrons, impenetráveis e profundas, e, a distância, um som que ele não conseguia identificar, como o de água corrente.

Agora ele conseguia ver a própria mão, que ainda estava pousada no peito, sem vida como a pétala de uma flor caída. Parecia irreal, como se ele tivesse se mudado para aquele local por livre e espontânea vontade, como se aquela fosse a mão de uma outra pessoa.

Onde ele estava?
Tentou se sentar, mas descobriu que estava fraco demais até mesmo para tentar o esforço. Sua garganta estava seca e áspera; não conseguia engolir. 
Ouviu vozes sussurrando por perto, vozes de mulheres.
- Água - tentou dizer. A palavra mal escapou de seus lábios crestados.
- Yah nyihpuhnyee mahyoo - disse uma das vozes: eu não o compreendo. 
Mas ele compreendera.
- Kah Tohri Eechahs? - perguntou ele na mesma língua na qual ela havai se dirigido a ele, embora ainda não conseguisse situar que língua era. Que horas eram?

E embora ele ainda não conseguisse distinguir formas ou rostos na parca luminosidade, ele podia ver a pequena mão feminina que pousara delicadamente em sua própria mão, ainda sobre o peito. Então a voz dela, uma voz diferente da anterior - uma voz familiar - , falou bem ao lado de seu ouvido. Era baixa, líquida e tranquilizadora como uma cantiga de ninar.
- Meu filho - disse ela. -Finalmente você voltou.